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Confiança na reforma dá novo fôlego ao mercado - Valor Econômico

A confiança de que a reforma da Previdência, finalmente, caminhará para frente deu um novo impulso para os ativos brasileiros. No pregão de maior liquidez desde a volta do feriado de Páscoa, o Ibovespa se apoiou nos desdobramentos da cena política para encostar nos 96 mil pontos, enquanto o dólar voltou para a faixa dos R$ 3,92. Há, porém, riscos no horizonte. A oposição continua atuando para obstruir a votação da pauta e analistas ponderam que atrasos na votação podem submeter o mercado a novas correções ou ondas de instabilidade. Ontem, durante a tarde, informações sobre o apoio de partidos do Centrão e a aprovação de requerimento que garantia prioridade na votação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) deram fôlego à moeda local e às ações - os mercados fecharam em tom de alívio, enquanto o colegiado ainda debatia o tema.

O Ibovespa terminou o dia em alta de 1,41%, aos 95.923 pontos, enquanto o dólar comercial caiu 0,29%, aos 3,9213. O real foi uma das quatro divisas contra as quais o dólar perdeu valor na sessão, considerando uma lista de 33 moedas. No mercado de juros, o contrato de DI para janeiro de 2025 terminou a sessão regular com taxa de 8,65%, a mínima do dia, bem afastada do ajuste anterior, de 8,75%. A correlação dos ativos com a evolução da cena política ficou bastante evidente. Assim que o deputado Felipe Francischini (PSL-PR) abriu os trabalhos da CCJ, a moeda americana, que até então seguia o exterior e operava em alta, passou a perder força.

De olho no início da reunião do colegiado, o Ibovespa tocou a máxima intradiária, em 96.315 pontos. Para Vitor Carvalho, sócio e gestor na LAIC, o que ajuda o mercado é a leitura de que o processo está caminhando. No entanto, ele alerta que a comissão especial, próximo colegiado a avaliar a reforma, pode "atravancar" o processo, algo que também se espera quando a discussão chegar ao plenário. "Aos poucos, o mercado vai acabar aceitando que vão aprovar a reforma com metade da economia que o governo havia estimado inicialmente", diz. "Ainda é positivo se seguir esse caminho. Começa a ficar ruim se a economia ficar abaixo de R$ 500 bilhões em dez anos." Nos últimos dias, os ativos financeiros passaram por correção, em linha com o ajuste de expectativas para o tempo de tramitação e o potencial de economia fiscal da reforma. Agora, afirma outro gestor, o mercado já está mais realista e excluiu cenários muito mais otimistas para a reforma.

Os preços dos ativos, diz o profissional, embutem a aposta de que a reforma trará poupança fiscal de R$ 400 bilhões a R$ 700 bilhões nos próximos dez anos. Para Luiz Eduardo Portella, sócio e gestor da Novus Capital, as mudanças no parecer vieram dentro do esperado e, com a aprovação do texto, os investidores podem vislumbrar as próximas etapas do processo. Os ativos, em sua avaliação, já estão ajustados para a perspectiva de uma tramitação mais longa e com essa economia fiscal no menor. "Está no preço uma poupança fiscal de R$ 600 bilhões ou R$ 700 bilhões, com as primeiras votações em plenário previstas para agosto", diz. O trâmite favorável da reforma da Previdência na CCJ é, na opinião de especialistas, o próximo grande catalisador para as compras no mercado de ações.

Por maioria, foi aprovado requerimento para dar prioridade à votação do parecer do relator da reforma na comissão, Marcelo Freitas (PSL-MG), que já havia dado parecer pela admissibilidade do texto da reforma. Também ontem, os partidos do Centrão (PP e PR) decidiram entregar todos os votos a favor da reforma da Previdência na CCJ. Dessa maneira, o mercado operou ao sabor da expectativa do governo de que mais de 40 votos pela admissibilidade do texto possam ser conquistados. Segundo Christian Laubenheimer, sócio da Platinum Investimentos, os recordes de fechamento renovados ontem pelo S&P 500 e pelo Nasdaq em Nova York deram impulso à renda variável globalmente, pela maior liquidez que o avanço de Wall Street enseja a outros mercados.

As oscilações lá fora, porém, foram bem mais modestas do que no Brasil, o que ajuda a dar a dimensão do quanto o ambiente político doméstico vem pautando a demanda por risco. "Parece que agora a reforma vai andar. Além disso, se afastaram os rumores de uma greve dos caminhoneiros. É natural que o mercado opere melhor agora", afirma Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos. "Com isso, poderemos ver os compradores [de bolsa] voltando. Tivemos uma inversão de expectativas muito grande de um dia para outro, saindo da possibilidade de uma greve e travas da reforma para o cenário atual."

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