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Embates políticos turbinam canais do YouTube - O Globo

O embate entre apoiadores e opositores do presidente Jair Bolsonaro no YouTube —plataforma favorita entre os brasileiros, segundo pesquisas recentes —chegou a celebridades dessa rede social e turbinou seus canais. Três youtubers recomendados pelo presidente acumulam cerca de cinco milhões de inscritos. Nando Moura, Diego Rox e Bernardo Kuster defendem pautas conservadoras, de cunho religioso e antiesquerda. Do outro lado, influenciadores como Felipe Neto, PC Siqueira e Cauê Moura, que são frequentemente temas de vídeos dos indicados por Bolsonaro, passaram a rebatê-los. O YouTube é um dos canais utilizados por Bolsonaro na comunicação direta com seus eleitores. Há duas semanas, o próprio presidente foi alvo de críticas após publicar um vídeo do ideólogo Olavo de Carvalho com ataques aos militares. Entre os canais indicados por Bolsonaro, o de Nando Moura é o que tem mais inscritos. O músico e produtor é acompanhado por 3,2 milhões de pessoas. Depois vem Diego Rox, com 1 milhão. Antes de atingir a fama na plataforma de vídeos, ele tentou carreira como MC de funk ostentação. Na sequência aparece Bernardo Kuster, jornalista católico que produz conteúdo contra a esquerda e de apoio a Bolsonaro, com 671 mil inscritos.

“GUERRILHA” VIRTUAL

Do outro lado, embora não tenham canais voltados exclusivamente para a manifestação política, PC Siqueira, que tem 2,4 milhões de inscritos, e Cauê Moura, que oculta o número de seguidores, produzem vídeos com críticas a integrantes do governo e contra os youtubers indicados por Bolsonaro. Após Bolsonaro recomendar uma lista de canais, PC Siqueira passou a postar vídeos com ataques a apoiadores do presidente. Neste ano, já publicou cinco contra Nando Moura. Enquanto outras publicações do ex-VJ atingem em média 100 mil visualizações, os de críticas ao músico chegam a 900 mil views. Um deles atingiu 1,4 milhão. Felipe Neto, um dos maiores youtubers brasileiros em número de seguidores, com 32 milhões de inscritos, também participa da “guerrilha virtual”, mas usa o Twitter, por exemplo, para críticas mais contundentes. Indicado por Bolsonaro, o canal de Nando Moura ganhou visibilidade após xingamentos a outros youtubers. Ele publicou ao todo 45 vídeos citando Cauê (13), PC Siqueira (10) e Felipe Neto (22). No primeiro deles, de janeiro de 2015, alcançou 386 mil visualizações. A média até então dos vídeos de Nando era em torno de 40 mil. As publicações do músico —que cita Olavo de Carvalho como inspiração —, sempre que associadas a um dos três, rendem acessos em número acima da média de seus outros vídeos. O youtuber Bernardo Kuster se apresenta como jornalista católico e é o influencer com mais vídeos de apoio ao governo. Ele critica a ala progressista da igreja católica, a chamada “ideologia de gênero”, o Supremo Tribunal Federal e, principalmente, o PT. Já Diego Rox está no YouTube há cerca de dois anos e meio. As manifestações sobre política começaram no início do ano passado, antes da eleição de Bolsonaro. Apesar de ser defensor do presidente, Diego criticou o suposto esquema de candidatas laranjas do PSL e a viagem de deputados federais da legenda à China. O canal de Rox cresceu durante o período eleitoral do ano passado. Em agosto, antes do primeiro turno, o youtuber era seguido por 240 mil pessoas. Quatro meses depois, já contava com 980 mil inscritos.

CICLO VICIOSO

Professor da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em marketing político, Gaudêncio Torquato diz que os ataques políticos entre os youtubers seguem uma lógica de “guerra cíclica”: —É como manter um clima de campanha constante. De um lado, o próprio presidente continua a mobilizar os exércitos virtuais que votaram nele, que fustigam e atacam o outro lado. Ao rebaterem com ataques, eles alimentam esse ciclo vicioso.

Já o professor de mídias digitais da ESPM Rio, Willian Rocha diz que os youtubers tendem a buscar os extremos para manter a audiência. —Existe uma questão cultural onde todo mundo é obrigado a ter uma opinião. E isso faz com que as pessoas se posicionem e busquem conteúdos que ratifiquem seu pensamento.

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