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Rumo à recessão - O Estado de S. Paulo

A deterioração da atividade econômica ficou tão relevante que os analistas já não se limitam a projetar queda do crescimento do PIB. Começam a se perguntar se o País mergulhará novamente na recessão e, portanto, na redução da renda.

Divulgado nesta quarta-feira, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), cujo objetivo é antecipar a medição do PIB, mostra forte recuo da atividade econômica no primeiro trimestre do ano, de 0,68% em comparação com a situação do quarto trimestre de 2018 (veja o gráfico).

O tom da Ata do Copom divulgada no dia anterior já havia sido especialmente impactante. Embora tenha se limitado a dizer que o PIB tinha “recuado ligeiramente”, ficou sugerido um quadro mais grave, como advertência de que é preciso da parte da sociedade, do Congresso e do governo mais empenho e mais pressa nas reformas.

A rapidez com que o setor privado tem revisto para baixo o ritmo da desaceleração mostra como a perplexidade está se espraiando. O ano começou com projeções alvissareiras, de avanço do PIB da ordem de 2,53%, como atestou na época o boletim Focus, do Banco Central. Dia após dia, esse número foi encolhendo. Na semana passada, passou a 1,45% e, a partir dos novos levantamentos do IBC-Br agora conhecidos, deverá baixar ainda mais. Há 20 dias, o Banco Itaú avisara que passou a trabalhar com um crescimento do PIB para todo este ano de 1,3%. Mas, já nesta semana, acabou de rever esse desempenho para apenas 1,0%.

Outras estatísticas recentes mostram que o investimento, a produção industrial e o consumo ou recuaram ou estancaram. A principal explicação para isso é o amplo quadro de incertezas que se estende pela economia – e pela política – e segura tudo: o investidor mantém engavetados seus projetos e a contratação de pessoal porque não sabe como andarão os negócios; e o consumidor adia as compras, com medo de que o desemprego e a queda de renda derrubem seu orçamento e sua capacidade de honrar as prestações de suas compras.

Este é também o diagnóstico do Banco Central, externado no texto da Ata do Copom. Por trás de tudo está o rombo que empurra o endividamento público para cima. Sempre que isso acontece, paira no ar o espectro do calote ou do aumento de impostos.

E se a economia entra em parafuso, a arrecadação tende a encolher, o rombo aumenta e, com ele, tudo piora. Na última terça-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não poderia ter sido mais claro: “A realidade é que estamos no fundo do poço” – declarou ele durante a audiência na Comissão Mista do Orçamento do Congresso. Talvez o ministro ainda tenha sido otimista. Se é verdade que está se formando um quadro de recessão econômica no País, o fundo do poço pode ser ainda mais embaixo.

Há alguns meses, tomaram corpo no mercado pressões de economistas para que o Banco Central aumente o volume de moeda na economia (derrube os juros) para, com isso, reativar a demanda e a produção. Por que temer que a inflação salte para acima da meta se a demanda está fraca?, argumentam esses economistas.

Não é por aí, avisa o Banco Central. Não é por falta de estímulos monetários (falta de dinheiro e de crédito) que a atividade econômica está emperrando. E volta a apontar para as incertezas e para a questão fiscal por trás delas, agora agravada pela excessiva lentidão com que o Congresso debate a reforma da Previdência.

Ou seja, não será com juros algo mais baixos que o empresário voltará a investir e que o consumidor voltará a correr para tomar empréstimos de modo a conseguir cobertura para seu aumento do consumo. O problema não é falta de crédito, mas o estrangulamento da capacidade de endividamento.

Mais do que nunca, o Brasil precisa de choque de capitalismo. Mas, para tanto, é preciso liderança. E, no entanto, também nisso o presidente Bolsonaro não ajuda. Ele dá mostras de que não se dá conta do agravamento do quadro fiscal. Há quatro dias, por exemplo, anunciou que a tabela progressiva do Imposto de Renda será reajustada pela inflação. Não há dúvidas de que essa correção é necessária, já que há três anos o assalariado vai pulando de faixa na tabela do Imposto de Renda e recebendo aumento de garfadas na sua renda. No entanto, em nenhum momento, Bolsonaro mostrou como a quebra da arrecadação que se seguisse à correção da tabela seria compensada, num quadro de notório agravamento do rombo.

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