Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Confiança empresarial cai, em clima de incerteza - Valor Econômico

A confiança dos empresários da indústria e da construção civil recuou em maio, segundo indicadores da Fundação Getulio Vargas (FGV) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgados nesta semana. É mais um sinal negativo para o investimento, que tem sofrido muito num quadro marcado por incertezas em relação à reforma da Previdência, enorme ociosidade e demanda insuficiente. Houve uma piora da percepção do empresariado tanto em relação à situação atual quanto a respeito das expectativas. Divulgada na terça-feira, a prévia da Sondagem da Indústria de maio da FGV recuou 1,6 ponto, para 96,3 pontos, na série com ajuste sazonal.

A maior queda foi a do componente de expectativas, que encolheu 2,9 pontos, para 94,5 pontos. Já a parcela referente à situação atual caiu 0,4 ponto, para 98,1 pontos. Segundo o Itaú Unibanco, o nível atual da confiança empresarial é consistente com variação da produção industrial "levemente abaixo de zero" numa base trimestral. "Dados sobre atividade divulgados até o momento sobre o segundo trimestre indicam que não há aceleração substancial da economia, depois de um primeiro trimestre desapontador", diz o banco, em nota. Já o Índice de confiança do empresário industrial (ICEI) da CNI teve em maio a quarta queda seguida.

Divulgado na segunda-feira, o indicador caiu 1,9 ponto, para 56,5 pontos. "Com o resultado de maio, o ICEI acumula recuo de 8,2 pontos nos últimos quatro meses", aponta a CNI. No caso desse indicador, a queda da confiança se explica principalmente pela piora das condições correntes, que caiu 2 pontos, para 47,8 pontos, enquanto o componente de expectativas baixou 1,8 ponto, para 60,8 pontos. A confiança piorou em todas as regiões do país e também foi generalizada na classificação das empresas por tamanho - grandes, médias e pequenas companhias estão menos confiantes.

A CNI pondera que, mesmo com a sequência de quatro tombos, o ICEI segue acima da linha divisória de 50 pontos. Valores acima desse nível indicam confiança do empresário, segundo a entidade. "Quanto mais acima de 50 pontos, maior e mais disseminada é a confiança." Apesar dessa ressalva, o ICEI embicou de fato para baixo, tendo recuado em quatro dos cinco meses deste ano. Além disso, o componente de condições atuais já se encontra abaixo de 50 pontos. "Em suma, os resultados reportados sugerem que a atividade da indústria continuará em ritmo modesto no curto prazo", dizem os economistas do Bradesco, em nota em que analisam o comportamento dos indicadores da CNI e da FGV. A CNI divulgou ontem o índice de confiança da indústria da construção, com a quinta queda consecutiva, de 56,4 para 55,8 pontos. O componente de condições correntes teve a maior baixa, ao cair de 46,5 para 45 pontos. O de expectativas ficou praticamente estável: passou de 61,3 para 61,2 pontos.

Os cenários de retomada mais forte da economia pressupõem a melhora da confiança de empresários e consumidores. No entanto, as incertezas no cenário político levantam interrogações as quanto ao ritmo de andamento da reforma da Previdência, causando desconforto especialmente entre grandes empresários, por causa das dúvidas quanto à sustentabilidade das contas públicas no futuro. As empresas não se sentem confortáveis para apostar em novos projetos, ainda mais quando muitos setores da economia têm enorme capacidade ociosa. As seguidas revisões para baixo das projeções de crescimento para 2019 e para 2020 também atrapalham, por indicar um quadro de baixa demanda no futuro. Nesse quadro, a confiança tem murchado aos poucos, após ter esboçado recuperação depois das eleições de outubro de 2018.

A sondagem da indústria da construção mostrou ainda que o índice de intenção de investimento do setor ficou praticamente estagnado em maio. O indicador é relacionado à disposição de ampliar compras de máquinas e equipamentos, pesquisa e desenvolvimento e inovação de produto ou processo. Ele ficou em 32,9 pontos este mês, 0,1 ponto a mais que o registrado em abril. O índice varia de 0 a 100 pontos. Quanto mais alto, maior a determinação de investir. Ele está num nível inferior do observado há um ano e também da média histórica, de 33,7 pontos.

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