Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Brasileiros da área digital querem trabalhar no exterior - Valor Econômico

A maioria dos profissionais brasileiros que trabalham na área digital estão interessados em conseguir emprego no exterior, em números acima da média global para esse segmento e de brasileiros que atuam em outras áreas. Os dados são de um estudo do Boston Consulting Group (BCG), que consultou mais de 27 mil especialistas digitais em 180 países, entre eles 131 brasileiros. A pesquisa consultou profissionais de diferentes níveis com atuação em áreas como programação, ciência de dados, marketing digital, design UX, engenharia de robótica, desenvolvimento de aplicativos e aprendizado de máquina. No Brasil, 87% dos respondentes se disseram dispostos a trabalhar em outro país, o que os coloca acima da média de profissionais brasileiros de outras áreas (73%) e dos especialistas digitais de outros países (67%). 

O Brasil é o 23º país mais atrativo para profissionais digitais estrangeiros, concentrando o interesse de trabalhadores da Angola e de países da América Latina. Já os brasileiros sonham com um emprego nos EUA, Canadá, Portugal, Alemanha e Austrália. O sócio do BCG para a área de pessoas e organizações, Manuel Luiz, diz que os resultados são significativos porque a demanda por profissionais dessas áreas é forte em diversos mercados. "O estudo mostra só intenção, mas se concretizando o impacto seria prejudicial. O Brasil já está atrás no desenvolvimento digital." Muitas empresas se mostram dispostas a "importar" talentos dessas áreas, segundo o headhunter Bernardo Carvalho, fundador da empresa de recrutamento especializada na área de digital The Bridge. "É mais fácil o talento ser movido pelo nível de demanda das empresas", diz. Na The Bridge, fundada no Chile pelo brasileiro Carvalho, aproximadamente metade das vagas fechadas hoje são de profissionais que emigram de um país para o outro, a grande maioria na AL, onde há menos dificuldade na obtenção de vistos. Segundo Carvalho, as áreas de design UX, desenvolvimento, scrum (um método de gestão de projetos) e ciência de dados são as mais aquecidas.

Falar espanhol, ou pelo menos inglês, é um requisito. Luiz, do BCG, se mostra um pouco mais otimista no longo prazo, no entanto, apontando que os profissionais brasileiros poderiam fazer um movimento similar ao dos chineses, que deixam o país para trabalhar em outros mercados mas eventualmente voltam - mais qualificados - para atuar em empresas locais. Hoje na China apenas 38% dos especialistas digitais se mostram dispostos a se mudar para outro país. "Em um momento posterior, quando a economia se estabilizar, o crescimento poderia atrair talentos digitais que voltarão para o Brasil e elevarão a maturidade do nosso mercado", diz. Segundo os dados do BCG, tanto os brasileiros quanto os respondentes de outros países demonstram preferência por trabalhar em uma grande empresa. Enquanto na média global o segundo formato de atuação preferido é ter a própria empresa, no Brasil é conseguir um emprego em uma startup. Os brasileiros citam como principais atrativos para mudar de emprego a possibilidade de avançar na carreira, boa relação com o chefe, oportunidades de treinamento e reconhecimento, além da chance de liderar equipes. A remuneração só aparece na oitava posição. 

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