Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Desemprego cai, mas trabalho informal bate recorde - O Globo

A taxa de desemprego recuou para 11,8% em julho deste ano, de acordo com a Pnad Contínua do IBGE, divulgada ontem. No período de fevereiro a abril de 2019, usado como base de comparação para este indicador, o desemprego estava em 12,5%. A quantidade de pessoas sem trabalho recuou de 13,1 milhões para 12,6 milhões no período. A queda, porém, foi puxada pelo aumento da informalidade, que já atinge 41,3% da população ocupada, um recorde. Na esteira da informalidade, o rendimento médio do trabalhador caiu 1% entre abril e julho, passando de R$ 2.311 a R$ 2.286. Já a massa de rendimento ficou estável. Isso se explica porque, como as vagas geradas são informais, os salários são mais baixos. Mas como há mais pessoas trabalhando, a massa salarial fica estabilizada. Beatriz da Silva, de 26 anos, já foi frentista, mas agora vende sandálias na rua, no Centro do Rio.

— No antigo emprego eu ganhava um pouco mais que um salário mínimo. Encontrei uma saída trabalhando aqui na rua. Agora consigo ganhar mais, fazer meu horário. O único problema é que não tenho direitos trabalhistas caso aconteça algo —diz. Segundo o IBGE, dos 93,5 milhões de brasileiros empregados, 38,6 milhões são informais. Esta parcela representa 41,3% do total de pessoas ocupadas no trimestre encerrado em julho. Para chegar a este quadro, o IBGE consolidou os números dos seguintes grupos: empregado no setor privado (excluindo os domésticos) sem carteira assinada, trabalhador doméstico sem carteira, trabalhador por conta própria sem CNPJ, empregador sem CNPJ e trabalhador auxiliar familiar. — O que se observa é uma transferência dentro do mercado de trabalho. As pessoas estão saindo da desocupação e migrando para a subocupação —diz Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

CONTA PRÓPRIA RECORDE

A quantidade de brasileiros que trabalham por conta própria atingiu novo recorde na série histórica da Pnad. Na comparação trimestral de 2019, o aumento foi de 1,4%, ou 343 mil trabalhadores a mais. Na comparação com o mesmo período do ano passado, 1,2 milhão passou a trabalhar por conta própria. — Há mais pessoas trabalhando, o que coloca o mercado em um círculo vicioso. Mas parte expressiva desses postos está na informalidade. Dos 2,2 milhões de vagas criadas em um ano, mais de 50% são de trabalhadores por conta própria, que é a forma mais expressiva da informalidade —explica Azeredo. Marcelo Neri, diretor do FGV Social, aponta uma certa recuperação no mercado:

— Começa a surgir uma luz no fim do túnel. Por mais que a recuperação do emprego não seja como se deseja, ela está acontecendo. Antônio da Silva, de 44 anos, vende tapioca no Centro do Rio. Ele conta que as vendas já foram melhores, mas que, mesmo assim, é com o trabalho informal que consegue se sustentar: — Antes eu ganhava R$ 3 mil por mês, agora chego a R$ 1,5 mil. Mas é o que paga as minhas contas todo mês. Maria Andreia Lameiras, técnica de planejamento e pesquisa do Ipea, destaca que a janela da informalidade é o caminho que os trabalhadores encontram para ter alguma fonte de renda, uma vez que não conseguem postos com carteira assinada: — Dada a atual situação, emprego na informalidade é melhor que desemprego. As pessoas começam a ver que conseguem produzir e vender alimentos, prestar pequenos serviços. Assim, encontram na informalidade uma janela para conseguir renda.

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