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Ex-vilão da inflação, setor de serviço desacelera alta de preços - O Globo

Rosângela Maria dos Santos, de 52 anos, abriu um espaço de estética e beleza no Centro do Rio há nove meses. Mesmo com 25 anos de experiência no ramo, foi chamada de “louca” pelos amigos ao decidir deixar de ser empregada para empreender com o país ainda vivendo as consequências de uma de suas piores crises econômicas. Desde então, a clientela já cresceu 60%. A façanha se deve a uma decisão: ela cobra preços abaixo da média do mercado para serviços como limpeza de pele, pedicure, manicure e depilação.

A receita está valendo para praticamente todo tipo de empresa prestadora de serviço. Vilão da inflação nos últimos anos, o setor pisou no freio dos reajustes ao longo de 2017. Este ano, deverá contribuir para a manutenção da inflação baixa. Há previsões até de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar abaixo do piso da meta do Banco Central (3%), como aconteceu em 2017, o que abre espaço para novas reduções da taxa básica de juros.

Economistas apontam que a inflação desse grupo vai fechar o ano no menor patamar em quase duas décadas, na casa dos 3%. A notícia é um alívio principalmente para o bolso da classe média, que gasta cerca de dois terços do orçamento com esse tipo de consumo, de acordo com o Instituto Data Popular.

Contribui para a desaceleração dos preços dos serviços ao longo de 2018, mesmo com a retomada gradual da economia, a tendência de manutenção do desemprego na casa dos dois dígitos — de acordo com os últimos dados do IBGE, está em 12,2%. Isso reduz a demanda e obriga os donos dos estabelecimentos a segurarem os preços para caber no orçamento mais apertado das famílias.

Por outro lado, a maior oferta de trabalhadores ociosos — ainda há 12,7 milhões em busca de uma vaga — ajuda os comerciantes a reduzirem custos com a força de trabalho num setor intensivo em mão de obra. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que orienta os reajustes dos salários dos trabalhadores, foi de 2,07% no ano passado — a menor variação desde o Plano Real, que é de 1994.

Outro fator favorável é a queda dos aluguéis dos estabelecimentos. O índice que corrige a maioria desses contratos, o IGP-M, terminou 2017 com deflação de 0,52%, a primeira desde 2009.

Salões de beleza, academias, cinemas e escolas particulares já usam promoções como parte da estratégia para manter ou recuperar clientes há pelo menos dois anos, quando a recessão se aprofundou. E boa parte prevê um 2018 sem aumentos.

— Os salões perderam muitos clientes porque as pessoas reclamam sempre dos preços. Anuncio muita promoção, eu mesma limpo o salão, faço o cafezinho para as clientes e subloco cabine (para manicure). O lucro é baixo, mas é a forma que encontrei para crescer — conta Rosângela, que, na sexta-feira, anunciava num site de ofertas uma sessão de pé e mão com 33% de desconto, a R$ 19,90. — Não vejo espaço para fazer reajustes este ano.

FAMÍLIAS APROVEITAM PARA ECONOMIZAR

Nesse mesmo site, uma rede de cinemas com salas no Rio ofertava ingressos a partir de R$ 7,99, um terço do preço cheio, e uma tradicional churrascaria dava 32% de desconto no rodízio de carnes, que saía a R$ 59,90 por pessoa.

Os consumidores já perceberam que é um bom momento para economizar. O comerciante Denys Estanho e a advogada Marcela Isolani ganharam desconto de 20% na mensalidade da creche do filho Davi, de 2 anos, sem fazer esforço algum. A promoção foi oferecida a todas as famílias do condomínio onde moram, próximo à escola. Para frequentar academia, eles se juntaram a uma amiga, e a matrícula tripla trouxe outro abatimento. O salão de beleza que o casal frequenta, no shopping onde têm uma loja, também está com preços menores para quem trabalha no centro de compras.

— As empresas andam mais abertas a escutar propostas. Toda essa economia que estou fazendo agora vou investir numa viagem em família no fim do ano — planeja Denys.

No ano passado, o IPCA, medido pelo IBGE, já captou esse efeito. A inflação de serviços encerrou 2017 em 4,51%, bem abaixo dos 6,5% registrados em 2016, mas ainda muito acima dos 2,95% da inflação média geral.

Em 2018, segundo previsão do Banco Itaú, a inflação de serviços deve ficar em 3,5%, a mesma variação projetada para a média geral do IPCA, o indicador oficial de inflação perseguido pelo BC. Desde 2005 o índice de serviços — que responde por cerca de um terço do IPCA — superou a taxa geral em quase todos os anos. Se o cenário se concretizar, os preços dos serviços não terão aumento real em 2018. É como se não tivessem pesado mais no orçamento.

— A inflação baixa vai reduzir o percentual dos reajustes salariais, e isso alivia os custos (do setor de serviços). Ademais, a recuperação da nossa economia está se dando de forma lenta, e isso ajuda a segurar os preços — analisa Elson Teles, economista do Itaú.

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