Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Rumo ao emprego massivo - O Estado de S. Paulo

Há um consenso nos meios políticos, econômicos e empresariais de que o Brasil somente voltará a se desenvolver de forma sustentada, com geração massiva de empregos, se o governo reequilibrar as finanças públicas e criar um ambiente favorável e juridicamente seguro à expansão dos investimentos.

O desafio de fazer a economia crescer de forma sustentada é gigantesco. Apesar da criação de 1,3 milhão de empregos em 2018, ainda restam 12 milhões de desempregados no país. Para complicar, hoje, por conta dos rápidos avanços tecnológicos, muitos setores econômicos demandam pouca mão de obra.

Entretanto, uma das atividades mais duramente atingidas pela crise, a indústria da construção, é justamente aquela com maior potencial de geração de emprego. Mesmo que o setor também tenha registrado avanços tecnológicos consideráveis como o BIM (Modelagem da Informação da Construção), ainda demandará a contratação de grandes contingentes de mão de obra, quando as condições forem plenamente favoráveis.

Não será fácil. A construção atravessou uma crise sem precedentes nos últimos cinco anos. O PIB do setor caiu mais de 25% de 2014 a 2017. E deve ter declinado mais 2,4% em 2018. Em cinco anos, a construção perdeu mais de 1,3 milhão de empregos diretos.

Os efeitos desta desidratação são visíveis. Mesmo com o sucesso do programa Minha Casa, Minha Vida, o déficit habitacional está por volta de 7,7 milhões de moradias, afetando mais de 25 milhões de pessoas. Os recursos de governo para a infraestrutura reduziram-se tanto, que não dão nem para a manutenção do que já existe.

Felizmente, os rumos agora traçados para a política econômica ensejam otimismo. É provável que, se o PIB nacional se elevar em 2,5%, o PIB da construção cresça 1,3% em 2019.

Para tanto, será necessário que o governo consiga articular uma ampla base parlamentar para a reforma da Previdência, implementar outras reformas, como a tributária, e adotar medidas de contenção de gastos visando ao superávit das contas públicas.

Proporcionar segurança jurídica, agilizar os licenciamentos em geral, em especial os ambientais, simplificar o sistema tributário e desburocratizar são condições necessárias à atração de capitais nacionais e estrangeiros para as concessões de infraestrutura e o fomento a empreendimentos imobiliários.

Na indústria imobiliária, será estratégico promover a expansão da oferta de crédito. Na habitação, há que se manter os recursos que viabilizam o acesso da população de baixa renda aos imóveis do programa Minha Casa, Minha Vida.

Simultaneamente, será indispensável estimular a inovação tecnológica e a elevação da produtividade. E conduzir uma política externa sem desvios ideológicos de qualquer matiz.

Por último, mas não menos importante, será necessário um salto de qualidade na educação, em todos os níveis. Tais são as condições indispensáveis para sustentar nosso desenvolvimento contínuo.

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