Federação Nacional dos Sindicatos de Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado

Editorial | O País de cara nova

O Brasil está recuperando algumas décadas de atraso pela via da legislação trabalhista, que acaba de ganhar ampla reforma com a decisão da Câmara de aprovar substitutivo do deputado Rogério Marinho, agora em tramitação no Senado e, ainda, pela via da regulamentação da Terceirização, projeto de lei aprovado pelas duas casas congressuais e já sancionado pelo presidente da República. 

O fato é que o caminho da modernização da economia brasileira está desimpedido, apesar da tentativa de uns poucos dinossauros que ainda teimam em puxar o Brasil para os tempos da Idade Média, na verdade uma maneira de manter benesses e privilégios.

O momento do Brasil não podia ser tão alvissareiro. O país rompe barreiras, avança celeremente e quebra dogmas fincados na década de 40 por meio de uma CLT que tutela as relações capital/trabalho. Enquanto o mundo civilizado abriu fronteiras, Brasil ficou confinado nas veredas do passado, só agora alargando caminhos em direção a um mercado de trabalho mais justo, saudável e equilibrado. Depois de décadas andando como tartaruga e vivenciando a maior recessão econômica de sua história, o País escancara as portas para que os trabalhadores possam sair da enorme fila do desemprego, começar a produzir com mais eficiência e garantir o sustento de suas famílias com dignidade.

Um dos dogmas que emerge na esteira das reformas é o da defesa dos trabalhadores. Pois, desde o início dessa intensa batalha, só as entidades patronais se mostraram dispostas a assegurar os direitos trabalhistas conforme os ditames da Constituição. E isso tem fundamento: ninguém mais do que o empresário sabe o valor do trabalhador para o seu negócio – portanto, cumpre valorizar e garantir seu bem-estar.

De outro lado, a maior parcela das entidades laborais esteve todo o tempo a defender seus próprios privilégios, muitos dos quais adquiridos ao longo do ciclo de 13 anos dos governos petistas. Com raras e honrosas exceções, esses sindicatos e suas centrais elegeram como foco a manipulação de slogans e refrãos, deturpando fatos para tentar impingir a públicos diferentes a falsa imagem de “defensores dos trabalhadores”. 

Em nenhum momento se ouviu dessas lideranças sindicais uma defesa sequer dos trabalhadores, um ideário voltado para aliviar o sofrimento dos mais de 14 milhões de desempregados, dos 13 milhões de funcionários terceirizados e, principalmente, daqueles outros milhões que se encontram na humilhante situação da informalidade.

A estratégia daquelas entidades de interesse oportunista sempre foi o ataque à terceirização, às reformas trabalhista e previdenciária e a todas as abordagens com foco no real bem-estar da população. Trataram sempre de usar pura retórica político-partidária. Hoje, comprova-se que o povo brasileiro não se deixa mais levar por esse tipo de artimanha, como mostrou a greve geral de 28 de abril, quando baderneiros conseguiram ferir o direito de vir e vir dos cidadãos. O que se viu foi uma coleção de piquetes e bloqueios de ruas e estradas com a manifesta intenção de evitar que trabalhadores se dirigissem aos seus locais de trabalho.  

A economia moderna exige que o capital e o trabalho caminhem juntos na direção de uma nova era. Os países mais avançados já fazem uso farto de novas modelagens com muito sucesso. Portanto, este é o momento de maturidade, de qualificação de trabalhadores, de oportunidade para dotar o mercado de trabalho com novas ferramentas. 

Não é compreensível a atitude de entidades laborais (com raras exceções), que em nenhum momento se propuseram a discutir as reformas de forma positiva para o bem de suas categorias. 

As reformas por que passa o Brasil representam forte inclusão – social e trabalhista. Esse processo se constrói com diálogo, inteligência, estudo aprofundado dos problemas e busca de soluções.

Não são barricadas, violência e pneus queimados que descortinarão horizontes mais largos para o mercado de trabalho.              

Vander Morales é presidente do Sindeprestem e da Fenaserhtt

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